É difícil ver como o nosso cérebro perde capacidades ao longo do tempo. Não é difícil perdê-las, porque nós não nos apercebemos, mas é difícil ver os outros perder.
As memórias são as coisas mais queridas que temos, provavelmente, depois do amor. São as memórias que nos fazem recordar o quão vivos já fomos, que nos fazem chorar pelo bem ou pelo mal, e ter essas emoções significa que é vivos que continuamos.
Hoje, cheguei ao lar e aquela senhora chamou-me. E começou a agarrar-me as mãos, com um sorriso rasgado no rosto e a dizer que já tínhamos brincado muito juntas. Confusa, eu pensei bem, deve ter sido de já me ter visto cá e provavelmente termos trocado algumas palavras. Mas, a senhora não me largou as mãos assim tão depressa e continuou a acariciá-las como se de uma netinha querida se tratasse. Continuou com a conversa dela, disse-me que foi das primeiras pessoas que me teve ao colo, e disse para dizer a minha mãe que me tinha visto. Estava tão contente ela e eu só conseguia dizer, 'sim, pois foi, pois foi! Está bem.' com um sorriso também, está claro.
Voltei para junto da minha mãe, contei-lhe e ela disse-me que a senhora tinha alzheimer.
Para ela tu foste mesmo aquele bebe que ela viu nascer ...
ResponderEliminarProporcionaste-lhe um momento que ela provavelmente já esqueceu, mas enquanto durou ela foi feliz.
Sed fugit interea fugit irreparabile tempus ("Mas ele foge: irreversivelmente o tempo foge").
Mas definitivamente existem momentos que ficam ...
Sim, foi exactamente isso que eu pensei, que ela ficou feliz , e isso foi muito bom (:
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