sexta-feira, 13 de abril de 2012

this still being my dream

Assim como uma simples palavra vos faz recordar algum momento especial que tenham vivido, também assim acontece comigo.
Há uma quantas músicas que me relembram a saída do cubículo entre as paredes feitas de panos escuro e da entrada para grande cenário. Há umas quantas fotos que me fazem lembrar o cansaço que sentiamos por pormos tanto esforço e empenho naquilo. Há flahs de imagens na minha cabeça que me fazem lembrar o primeiro dia, da primeira vez. Há calafrios que me fazem recordar o nervosismo de não conhecer mais ninguém e há suores frios que me fazem lembrar o calor que se fazia sentir naquele estúdio tão quente.

E assim como há tudo isto, estas simples coisas, quando eu penso que vou lá outra vez entrar naquelas salas, dar beijinhos, olás, sorrisos e abraços áquelas pessoas, que vou subir e descer aquelas escadas, que me vou sentar naqueles sofás, que vou a porta a abrir e a fechar.. bum! Abre-se o rio dentro de mim; voltam as emoções, os sentimos, aqueles que só podemos sentir quando amamos algo desde e até ao mais ínfimo pormenor. E depois lembro-me que desta vez vou lá estar, mas vai só metade de mim, porque eu não vou fazer parte do elenco.. e então um BUM ainda maior. É aí que eu penso que nada disto pode ter outro rumo e que não podem existir outras coisas no meu caminho que me atrapalhem para eu seguir a minha verdadeira felicidade.
Porque lá eu não preciso que existam outras coisas que tantas pessoas dizem que não é possível viver sem. (tavez até eu pense assim, quando não estou lá) Mas lá é diferente. Lá as palavras fazem todas sentido e têm todas o verdadeiro eco da minha voz. Nada mais me provoca isto dentro de mim, isto que me faz ser eu, to-tal-men-te eu: sem reservas, sem medos, sem ouvir o que os de fora têm para dizer; sou só eu e os que estão em cima daquele palco comigo, e entre nós e o que nós estamos a dizer e a fazer, vai haver uma ligação impossível de comparar com qualquer outra coisa no mundo.

Teatro, que força tens tu.

2 comentários:

  1. Sabes que quando pisas um palco, deixas de ser tu, transformas-te na personagem que o autor criou (ou pelo menos tentas).
    Apesar disso e por mais que te esforces, o resultado nunca é o mesmo.
    A personagem que encarnas tem sempre a tua marca, nunca te consegues anular na totalidade ...
    A diferença é que alguns(como tu), têm a capacidade de transmitir os sentimentos e as emoções que o autor pretende, e isso é a verdadeira magia do teatro...
    Quando me sento numa plateia e sou transportado para uma qualquer realidade, são os teus braços e os de outros como tu que me levam.
    E é a vossa força que me mantem lá ...
    Representar é muito mais do que fingir, é ser capaz de vestir uma outra pele e sentir de uma outra forma, sem perder de vista a própria identidade...
    A grande diferença é que lá, em cima do palco, o mundo é teu e a tua (vossa) voz, não está acorrentada ...
    A isso chama-se LIBERDADE.

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