Assim como uma simples palavra vos faz recordar algum momento especial que tenham vivido, também assim acontece comigo.
Há uma quantas músicas que me relembram a saída do cubículo entre as paredes feitas de panos escuro e da entrada para grande cenário. Há umas quantas fotos que me fazem lembrar o cansaço que sentiamos por pormos tanto esforço e empenho naquilo. Há flahs de imagens na minha cabeça que me fazem lembrar o primeiro dia, da primeira vez. Há calafrios que me fazem recordar o nervosismo de não conhecer mais ninguém e há suores frios que me fazem lembrar o calor que se fazia sentir naquele estúdio tão quente.
E assim como há tudo isto, estas simples coisas, quando eu penso que vou lá outra vez entrar naquelas salas, dar beijinhos, olás, sorrisos e abraços áquelas pessoas, que vou subir e descer aquelas escadas, que me vou sentar naqueles sofás, que vou a porta a abrir e a fechar.. bum! Abre-se o rio dentro de mim; voltam as emoções, os sentimos, aqueles que só podemos sentir quando amamos algo desde e até ao mais ínfimo pormenor. E depois lembro-me que desta vez vou lá estar, mas vai só metade de mim, porque eu não vou fazer parte do elenco.. e então um BUM ainda maior. É aí que eu penso que nada disto pode ter outro rumo e que não podem existir outras coisas no meu caminho que me atrapalhem para eu seguir a minha verdadeira felicidade.
Porque lá eu não preciso que existam outras coisas que tantas pessoas dizem que não é possível viver sem. (tavez até eu pense assim, quando não estou lá) Mas lá é diferente. Lá as palavras fazem todas sentido e têm todas o verdadeiro eco da minha voz. Nada mais me provoca isto dentro de mim, isto que me faz ser eu, to-tal-men-te eu: sem reservas, sem medos, sem ouvir o que os de fora têm para dizer; sou só eu e os que estão em cima daquele palco comigo, e entre nós e o que nós estamos a dizer e a fazer, vai haver uma ligação impossível de comparar com qualquer outra coisa no mundo.
Teatro, que força tens tu.
Sabes que quando pisas um palco, deixas de ser tu, transformas-te na personagem que o autor criou (ou pelo menos tentas).
ResponderEliminarApesar disso e por mais que te esforces, o resultado nunca é o mesmo.
A personagem que encarnas tem sempre a tua marca, nunca te consegues anular na totalidade ...
A diferença é que alguns(como tu), têm a capacidade de transmitir os sentimentos e as emoções que o autor pretende, e isso é a verdadeira magia do teatro...
Quando me sento numa plateia e sou transportado para uma qualquer realidade, são os teus braços e os de outros como tu que me levam.
E é a vossa força que me mantem lá ...
Representar é muito mais do que fingir, é ser capaz de vestir uma outra pele e sentir de uma outra forma, sem perder de vista a própria identidade...
A grande diferença é que lá, em cima do palco, o mundo é teu e a tua (vossa) voz, não está acorrentada ...
A isso chama-se LIBERDADE.
Entao ja me viste em palco.. Obrigada !
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