Tenho saudades. É que estou mesmo cheia de saudades.
Saudades de sentir os salpicos daquela água molhada e salgada a entranhar-se nos poros depois de bater nas rochas, de evadir os meus pés, de os afundar naquela areia depois de a água voltar para trás, de me fazer cair e rebolar perante desconhecidos e assim rir-me desfalecidamente de mim própria!
É. Sinto saudades daquele mar; daquele sol e daquele pequenino café onde pela primeira vez, já há uns anos atrás, olhei e senti que tinha de conhecer o tal jovem de olhos azuis que me mirava e sorria para mim(há-de sempre ser o meu cafézinho de praia favorito). Enfim, também tenho saudade da sombra disfrutada durante um piquenique silvestre e das boas conversas e risadas.
O Verão seria tudo se não fosse nada; mas não é nada, é tudo. Contudo sendo tudo, é isso mesmo, tudo.
Faz falta as noites de Verão passadas em sítios calmos que os amigos de sempre fazem ser terrivelmente barulhentos (dizendo isto gostando daquele barulho).
Por fim, sinto agora nostalgia quando penso no burburim que se fazia na minha barriga, no meu estômago, na minha boca, no meu coração quando pensava que iria ver o que jamais (paradoxalmente, era o que mais desejava) pensaria ter perante mim; fitando-me nos olhos. Agora -era capaz- de o querer sentir.
Também tenho necessidade de sentir uma certa liberdade interior.
Frederico, sentes a inconformidade das coisas? Olha, vê se me contactas, que preciso de um concelho.
(Matar as saudades está fora de questão?*)
ResponderEliminarJá não me lembro onde respondi da outra vez, que se lixe. Olha: sempre e inevitavelmente, os pais acham que os filhos não têm direito a dores de alma. Que são muito novos para saber o que é uma desilusão verdadeira. Vou escrever sobre isso daqui a uns dias, mas a verdade é que os adultos são tão burros como nós - a dita maturidade que se ganha com o tempo é a capacidade de mascarar as dificuldades e falar sobre a crise para manter bem longe do pensamento todas as questões que lhes atrofiam a mente.
ResponderEliminarTu estás de cabeça quente. E se bem te adivinho, deves estar com uma vontade de ser crítica de tudo e de todos, neste momento. Ou então já passaste esta fase ontem à noite. Poucos amigos tenho eu próximos, porque sou muito exigente. E ainda bem. Assim, só tenho ao pé de mim todas as pessoas que realmente me querem. E deixo de exigir deles, no momento em que me mostram que o conforto é mútuo.
Eu não me referia só ao mar... É como... Hum... Sabes quando vês nas formas das nuvens a imagem de um animal ou outra situação? Ou quem vê nos olhos de alguém algo bonito? Ou quem vê o mar na parte gira do Pavia? Vem daí. Eu, por exemplo, mato saudades de Albufeira (onde vou todos os Verões) ao subir a sítios altos, como a Sé, ao fim da tarde, porque me faz lembrar a varanda alta virada para o mar, onde costumo ficar.